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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

TEXTO DE APOIO - Empreendedorismo jovem

Escrito por Adriana Fonseca
(Texto resumido. Clique no nome da autora para ler o texto integral.)

Como inspirar o jovem empreendedor brasileiro a tirar sua ideia do papel, inspirando-o e fazendo-o acreditar que é possível transformar o projeto em realidade?

Acho que o mais importante é traçarmos o perfil do jovem no cenário atual, onde tecnologia, acesso rápido às informações e a velocidade do que passa à nossa frente são fatores relevantes e impactam diretamente nas tomadas de decisões.

Mas, qual é o contexto apresentado ao candidato que deseja transformar o sonho em realidade? Sabemos que o número de brasileiros que abriram um negócio por oportunidade, ou seja, para melhorar sua condição de vida, supera os que montaram uma empresa apenas por necessidade, mas ainda é muito baixo.

Dificuldades, sim! Desistir, jamais!

Versatilidade, arrojo e clareza de objetivos são características inerentes ao perfil empreendedor . O que não pode faltar é organização das ideias, disciplina e foco.

O conceito de empreendedorismo não se restringe somente à criação de empresas e à ideia que todos temos de trabalhar por conta, mas buscar soluções práticas para solucionar problemas, independentemente dos recursos que a pessoa disponha, com ótimos resultados!

Cabe também à sociedade mobilizar e incentivar a atitude criativa, estimular discussões, criar oportunidades e inspirar, proporcionando aos jovens, cada vez mais, serem protagonistas de suas próprias histórias.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

MATERIAL DE APOIO - Texto

Por uma pedagogia da juventude
Juarez Dayrell *

Uma reflexão sobre a questão do projeto de vida no âmbito da juventude e o papel da escola nesse processo, exige primeiramente o esclarecimento do que se compreende a respeito da categoria juventude, quase sempre considerada um dado da natureza. Acredito que a noção de juventude deve ser entendida, ao mesmo tempo, como uma condição social e uma representação. De um lado, há um caráter universal dado pelas transformações do indivíduo em determinada faixa etária, na qual completa o seu desenvolvimento físico e enfrenta mudanças psicológicas. Mas a forma como cada sociedade e, no seu interior, cada grupo social vai lidar e representar esse momento é muito variada. Não existe uma juventude, mas sim juventudes, no plural, enfatizando, assim, a diversidade de modos de ser jovem na nossa sociedade. Nesse sentido, se queremos compreender os jovens com os quais atuamos, antes de nada é necessário conhecê-los em sua realidade, descobrindo os diferentes modos pelos quais eles constroem a sua experiência.
A vivência da juventude, desde a adolescência, tende a ser caracterizada por experimentações em todas as dimensões da vida subjetiva e social. O jovem torna-se capaz de refletir e de se ver como um indivíduo que participa da sociedade, recebendo e exercendo influências, fazendo deste o momento por excelência do exercício de inserção social. Esse período pode ser crucial para que ele se desenvolva plenamente como adulto e cidadão, sendo necessários tempos, espaços e relações de qualidade que possibilitem a cada um experimentar e desenvolver suas potencialidades.
É nesse processo, permeado de descobertas, emoções, ambivalências e conflitos, que o jovem se defronta com perguntas como: “quem sou eu?”, “para onde vou?”, “qual rumo devo dar à minha vida?”. Questões cruciais que remetem

à identidade e ao projeto de vida, duas dimensões que aparecem interligadas e são decisivas no processo de amadurecimento.
O projeto de vida pode ser entendido como a ação do indivíduo de escolher um, dentre os futuros possíveis, transformando os desejos e as fantasias que lhe dão substância em objetivos passíveis de serem perseguidos, representando, assim, uma orientação, um rumo de vida. Os projetos podem ser individuais e/ou coletivos; podem ser mais amplos ou restritos, com elaborações a curto ou médio prazo, dependendo do campo de possibilidades. Quer dizer, dependem do contexto sócio- econômico- cultural concreto no qual cada jovem se encontra inserido, e que circunscreve suas possibilidades de experiências. O projeto possui uma dinâmica própria, transformando-se na medida do amadurecimento dos próprios jovens e/ou mudanças no campo de possibilidades.
Um projeto de vida se realiza na junção de duas variáveis. A primeira diz respeito à identidade, ou seja, quanto mais o jovem se conhece, experimenta as suas potencialidades individuais, descobre o seu gosto, aquilo que sente prazer em fazer, maior será a sua capacidade de elaborar o seu projeto.
Quando falamos em identidade, não estamos nos referindo a um “eu” interior natural, como se este fosse uma capa colocada pela sociedade sobre o núcleo interno com o qual nascemos. Ao contrário, estamos falando em uma construção que cada um vai fazendo por meio das relações que estabelece com o mundo e com os outros. A construção da identidade é antes de tudo um processo relacional, ou seja, um indivíduo só toma consciência de si na relação com o Outro. É uma interação social, o que aponta para a importância do pertencimento grupal e das suas relações solidárias para o reforço e garantia da identidade individual. Fica evidente a importância do grupo de amigos, das esferas culturais, das atividades de lazer, da escola, entre outros, como espaços que podem contribuir na construção de identidades positivas.
Outra variável que interfere na elaboração do projeto de vida é o conhecimento da realidade. Quanto mais o jovem conhece a realidade em que se insere, compreende o funcionamento da estrutura social com seus mecanismos de inclusão e exclusão e tem consciência dos limites e das possibilidades abertas pelo sistema na área em que queira atuar, maiores serão as suas possibilidades de elaborar e de implementar o seu projeto. As duas variáveis demandam espaços e tempos de experimentação e uma ação educativa que a possa orientar.
A elaboração de um projeto de vida é fruto de um processo de aprendizagem, no qual o maior desafio é aprender a escolher. Na sociedade contemporânea, somos chamados a escolher, a decidir continuamente, fazendo desta ação uma condição para a sobrevivência social. A escolha também é objeto de aprendizagem: aprendemos a escolher, e a nos responsabilizar pelas nossas escolhas. Um e outro se aprendem fazendo, errando, refletindo sobre os erros. Essas são condições para a formação de sujeitos autônomos. Cabe perguntar: onde nossos jovens estão exercitando, aprendendo a escolher? Quais os espaços que vêm estimulando a formação de jovens autônomos?
É tarefa do mundo adulto e suas instituições garantir aos jovens momentos e situações em que se coloquem como interlocutores, promovendo uma relação intergeracional. As pesquisas vêm evidenciando, porém, que a instituição escolar, principalmente a escola pública, não vem cumprindo este papel. A escola pouco conhece o jovem que a freqüenta, a sua visão de mundo, os seus desejos, o que faz fora da escola. Ao mesmo tempo, predomina uma representação negativa e preconceituosa em relação à juventude. O jovem é visto na perspectiva da falta, da incompletude, da desconfiança, o que torna ainda mais difícil para a escola perceber quem ele é de fato. Mas já existem muitas experiências que apontam para uma nova postura da escola na relação com os jovens, com algumas características que devem ser ressaltadas.
Um primeiro aspecto é reconhecer e lidar com o jovem como sujeito. Implica percebê-lo como realmente é, além da sua condição de aluno. É um indivíduo que ama, sofre, se diverte, pensa a respeito das suas experiências, interpreta o mundo, tem desejos e projetos de vida. Torna-se necessário escutá-los, considerá-los como interlocutores válidos e, na perspectiva do protagonismo juvenil, tomá-los como parceiros na definição de ações que possam potencializar o que já trazem de experiências de vida.

Levar em conta o jovem como sujeito é adequar a escola a uma “pedagogia da juventude”, considerando os processos educativos necessários para lidar com um corpo em transformação, com os afetos e sentimentos próprios dessa fase da vida e com as suas demandas de sociabilidade. Implica também adequar o ritmo dos processos educativos, dinamizando-os com metas e produtos que respondam à ansiedade juvenil por resultados imediatos. É fazer da escola um espaço de produção de ações, de saberes e relações. É acreditar na capacidade do jovem, na sua criatividade e apostar no que ele sabe e quer dominar.
Nessa perspectiva, a escola se torna um centro juvenil, um espaço de encontro, de estímulo à sociabilidade, onde os jovens possam ter a possibilidade de descobrirem-se diferentes dos outros, e principalmente aprender a respeitar estas diferenças. Um espaço de aprendizagem das regras e vivências coletivas e do exercício da participação. Todas esses são aspectos centrais na construção de identidades positivas e na elaboração de projetos de vida.
E aqui vale ressaltar a centralidade da relação dos jovens com seus professores. Estes são a expressão de uma geração adulta, portadora de um mundo de valores, regras, projetos e utopias a ser proposto aos jovens alunos. Cabe a eles se colocarem como interlocutores desses jovens diante de suas crises, dúvidas e perplexidades. Assim, a escola se efetiva como um espaço de interlocução dos jovens com o mundo adulto, contribuindo na construção de referências positivas.
No trabalho com os jovens, a força propulsora tem de ser o desejo. Professores e alunos com desejo de descobrirem novos caminhos, novas relações, novos conhecimentos. O envolvimento dos professores é o primeiro passo para qualquer proposta que pretenda estabelecer um diálogo maior com os jovens alunos, fazendo da escola um espaço onde eles “possam ser mais”, como dizia Paulo Freire. Será reencontrada, assim, a vocação da escola como um espaço de formação humana.

*Juarez Dayrell é professor da Faculdade de Educação da UFMG e coordenador do Observatório da Juventude da UFMG. Artigo publicado na revista Onda Jovem.
Retirado da Internet - AQUI

segunda-feira, 20 de abril de 2009

MATERIAL DE APOIO - Sobre Dinâmicas de grupos





A dinâmica é a atividade que leva o grupo a uma movimentação, a um trabalho em que se perceba, por exemplo, como cada pessoa se comporta em grupo, como é a comunicação, o nível de iniciativa, a liderança, o processo de pensamento, o nível de frustração, se aceita bem o fato de não ter sua idéia levada em conta. Dinâmica de grupo é um instrumento de aproximação de interesses. É preciso haver sintonia. 

Fases da dinâmica 

Apresentação 
Pode ser feita só oralmente, quando cada participante fará uma pequena descrição de sua vida pessoal e profissional. Pode ser também uma apresentação mais dinâmica, na qual os candidatos recebem cartolina, jornais, revistas, tesoura, cola, canetas. O objetivo é fazer com que cada um se defina usando esses recursos. É permitido escrever, desenhar, colocar recortes de revistas, colar ilustrações. Serve para "quebrar o gelo" e fazer com que todos se conheçam. 

Aquecimento
Essa fase pode ser a primeira ou a segunda. O aquecimento serve para quebrar o gelo ou desacelerar a equipe. Isso quer dizer que o facilitador da dinâmica precisará fazer uma leitura corporal do grupo para saber se há entrosamento. A partir daí define-se o tipo de aquecimento, que pode ser físico, para relaxar e diminuir a empolgação, ou algum tipo de jogo que proporcione oportunidades de integração do grupo. Um exemplo é o jogo da batata quente. Cada pessoa, ao receber a bola, precisa terminar a frase dita pelo condutor da dinâmica. "Eu gosto de ...", "Me tira o sono...", "O que me entristece é...","Às vezes eu me sinto como...". 

Atividade Principal
Pode ser subdividida em três tipos: 

  • Execução ou Realização - construção de um produto ou um projeto. Com isso, verifica-se criatividade, jogo de cintura, dinamismo, clareza de idéias,  comportamento em relação ao grupo, sintonia, e o principal, de que forma cada integrante contribui para isso. 
  • Comunicação - é sempre baseado em debates ou histórias. O grupo é dividido em duas partes, depois é apresentado um tema da atualidade (geralmente polêmico) sobre o qual os participantes discutirão para desenvolver argumentação pertinente. Avalia-se capacidade de argumentação, conhecimento do assunto, poder de negociação, relacionamento interpessoal, facilidade de expor idéias, maturidade e nível cultural. 
  • Situacional - pode ser feito verbalmente ou através da aplicação de questionários. Diante da apresentação de uma situação relacionada a problemas cotidianos das empresas, cada participante deve apontar possíveis soluções. O grupo pode ser dividido em duas equipes e, então, cada uma apresenta suas soluções. O objetivo é checar capacidade de compreensão, de síntese, liderança, habilidade analítica, aceitação do que foi exposto pelo grupo oponente, poder de negociação, coesão do grupo e maturidade. Outro exemplo: diante de uma situação em que um barco está afundando, lança-se a pergunta: quem você salvaria? O facilitador demonstra o perfil de cada um dos ocupantes do barco e cada um faz sua escolha. Esse tipo de dinâmica vai identificar os valores (econômico, religioso, humano) e se você é uma pessoa mais sonhadora, prática, organizada ou desregrada. 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

MATERIAL DE APOIO- TEXTOS

Como o jovem olha para si mesmo

Abdalaziz de Moura
(SERTA)

Dependendo da forma como o adolescente ou o jovem se concebe, olha para si mesmo e se imagina a si próprio, assume tal ou tal atitude diante da vida. Por exemplo, se ele olha para si como uma pessoa que não tem capacidade, que só traz problema para os pais e professores, que ninguém lhe escuta, nem lhe entende, esse jovem ou adolescente vai se comportar seguindo sua concepção. Ele vai sentir-se inseguro diante dos outros, vai sentir-se tímido, acanhado, sem iniciativa, ou vai procurar um jeito estranho de chamar a atenção dos outros ou vai procurar reforço fora de si, na bebida, no apoio de um amigo ou de um líder para enfrentar o mundo.

Mas se o adolescente se olha com uma outra concepção, por exemplo, como alguém que tem potencialidade, capacidade, que tem uma palavra que lhe é própria, desenvolve idéias próprias, pode contribuir com a solução dos problemas, esse jovem vai tomar atitudes de protagonistas, com autonomia, auto-estima, autoconfiança e não vai precisar de apoio externo ou de estimulantes para se guiar na vida.

Essa diferença é muita maior do que imaginamos. E como vemos tem repercussão imediata sobre a vida das pessoas. Sobre o rumo da vida das pessoas. As concepções ajudam as pessoas a construírem as respostas sobre as grandes interrogações, sobre o para que, porque, qual o sentido da vida, do bem, do mal, do amor, do ódio.

Por isso é tão importante o jovem ou o adolescente, como qualquer outra pessoa, ter mais clareza sobre suas concepções a respeito das pessoas. Sabemos que tradicionalmente pinta-se um quadro onde o adolescente é um aborrecente, um revoltado, uma pessoa imatura, que depende do dinheiro do pai ou mãe, depende da autoridade. Essa concepção não é a da formação do ADL, o ADL é o contrário de tudo isso. Mas é ele que tem que construir essa concepção.

A mesma coisa com os produtores que formamos. Nós não vamos fazer formação só com os conhecimentos de conservação de solo, de controle de pragas, de planejamento da propriedade. Vamos também desenvolver conteúdos filosóficos. Esses conteúdos vão orientar as técnicas. Com as professoras, não vamos fazer formação só com os conhecimentos didáticos, com psicologia, com sociologia, vamos, sobretudo, desenvolver filosofia, concepções pedagógicas. De acordo com a concepção filosófica, com a imagem que ela faz de seu papel, ela vai se relacionar com os alunos, com as famílias, com os textos, com as dinâmicas, com o planejamento e a avaliação.


Leitura complementar:

Serrão, Margarida e Beleeiro Maria Clarice, 
Aprendendo a Ser e a Conviver, FTD e Fundação Odebrecth, 1999

Costa, Antônio Carlos Gomes da, 
Protagonismo Juvenil, adolescência, educação e participação democrática, 
Fundação Odebrecth, 2000, Salvador.
____, Encontros e Travessias, o adolescente diante de si mesmo e do mundo.

Serta, 
Idéias em construção, 
Documento 04, 
Que diferença existe entre a concepção de desenvolvimento do Serta e outras. 2001.
____, Idéias em construção, Doc 05 2001.___, Dicas sobre o Protagonismo
____, A ética na Peads
 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

MATERIAL DE APOIO - TEXTO SOBRE JUVENTUDE


O CONCEITO DE JUVENTUDE

O conceito de Juventude é relativamente recente, e é definido geralmente, como um estado intermédio entre a infância, idade da irresponsabilidade, e a vida de adulto, idade da responsabilidade. Esta diferenciação surge apenas durante o século XVII e, nesta altura, aplica-se apenas a uma classe: a nobreza. 

Contudo, durante o séc. XIX, o estatuto alarga-se à classe que substitui a nobreza no poder: a burguesia. Aqui, o período situava-se entre o acabar dos estudos e o iniciar uma profissão. Ao longo destes dois séculos, todas as restantes classes sociais, passavam diretamente da infância à vida adulta, através do mundo do trabalho.

É só no nosso século que o estatuto de jovem se passa a aplicar a todas as classes da população nos países industrializados. O jovem passa a ser um indivíduo de um determinado grupo etário.
Para além do estatuto legal, o papel do jovem não está bem definido na sociedade portuguesa. Sendo a juventude, uma categoria socialmente construída no contexto de determinadas situações econômicas, sociais ou políticas, é uma categoria sujeita, pois, a modificar-se ao longo do tempo, de acordo com as condições socioculturais.

Mesmo a noção comum de jovem, muito associada a fases etárias, tem-se vindo a tornar cada vez mais difícil de delimitar, pois as exigências da vida do pós-modernismo tendem a prolongar a permanência em casa dos pais e a dependência relativamente a estes. O chamado generation gap (fosso geracional) nunca foi tão grande nem se fez notar de forma tão nítida. A distância sociocultural é agora tão grande entre pais e filhos, como era gerações atrás, entre avós e netos. Nestas condições, o critério etário torna-se insuficiente para definir jovem. 

Temos assistido a grandes transformações no sistema social, quer a nível da organização da rede escolar, com o prolongamento da escolaridade; quer ao nível da dependência do jovem perante o núcleo familiar devido ao adiamento da inserção do jovem no mercado de trabalho. Isto leva a que a realidade se afaste do conceito tradicional de juventude . Existe assim uma indeterminação social do que é a juventude, e consequentemente da(s) sua(s) realidade(s). Trata-se de uma zona de incerteza sociológica.

Também a aparentemente simples noção de inserção no mercado de trabalho, é multifacetada. Além da diferença entre jovens que trabalham, e os que não trabalham, há ainda que distinguir entre aqueles que desenvolvem uma atividade profissional estável (com contrato, a tempo inteiro, e razoavelmente bem remunerada); e os outros, que trabalham sobretudo para complementar as prestações familiares, cujo consumo é direcionado essencialmente para os gastos no lazer. Nestes casos, abunda o part-time, e o trabalho temporário e/ou precário, em suma, aquilo a que J. M. Pais chama o mercado de trabalho secundário, nos sectores "subterrâneos" da economia (PAIS,1994: 18).

Alex Félix dos Santos
Sérgio Augusto Baldin Júnior, sdb
Em SUBSÍDIO DE PREPARAÇÃO PARA O CONGRESSO DE JOVENS LÍDERES DE ORATÓRIOS E OBRAS SOCIAIS/POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A JUVENTUDE

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

MATERIAL DE APOIO - Texto [3]




PERDAS NECESSÁRIAS
Judith Viorst

• As perdas são partes da vida. As perdas são necessárias porque para crescer temos de perder, não só pela morte, mas também por abandono, pela desistência.

• Em qualquer idade, perder é difícil e doloroso, mas só através de nossas perdas nos tornamos seres humanos plenamente desenvolvidos.

• As pessoas que somos e a vida que vivemos são determinadas, de uma forma ou outra, pelas nossas experiências de perda. Esta compreensão ajuda a ampliar o campo de nossas escolhas e possibilidades.

• Todos nós, em princípio, lutamos contra as perdas, mas as perdas são universais, inexoráveis e muito abrangentes em nossas vidas.

• E nossas perdas incluem não apenas separações e abandonos, mas também a perda consciente ou inconsciente, de sonhos românticos, ilusões de segurança, expectativas irreais e outras.

• As perdas que enfrentamos ao longo da vida, e das quais não podemos fugir são:
- Que o amor de nossos pais não é só nosso.
- Que nossos pais vão nos deixar, e que nós vamos deixá-los.
- Que por mais sábio, belo e encantador que alguém seja ninguém tem assegurado casar e " ser feliz para sempre".
- Que temos de aceitar - em nós mesmos e nos outros - um misto de amor e ódio, de bem e de mal.
- Que tudo nesta vida é implacavelmente efêmero.
- Que estamos neste mundo essencialmente por nossa conta.
- Que somos completamente incapazes de oferecer a nós mesmos ou aos que amamos, qualquer forma de proteção contra a dor e contra as perdas necessárias.
- Que nossas opções são limitadas pela nossa anatomia e pelo nosso potencial.
- Que nossas ações são influenciadas pelo sentimento de culpa incutido em nós pela educação que recebemos.

Examinar estas perdas permitem aceitar e modelar melhor os fatos da nossa vida.
Começar a perceber com nossas perdas moldaram e moldam nossas vidas pode ser o começo de uma vida mais promissora e feliz.

sábado, 17 de janeiro de 2009

MATERIAL DE APOIO - Texto sobre AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO


AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO

( autor desconhecido)

O açougueiro ficou espantado com a entrada de um cão dentro da loja.
Enxotou-o, mas o cão voltou logo de seguida ; tentou novamente espantá-lo quando de repente reparou que o cão trazia um bilhete na boca.
Pegou o bilhete e leu:
- Pode mandar-me 12 salsichas e uma perna de carneiro, por favor?

O cão trazia também dinheiro na boca, uma nota de 50 reais.

Ele pegou no dinheiro, pôs as salsichas e a perna de carneiro num saco e colocou-o na boca do cão. Este começou a descer a rua, e quando chegou ao cruzamento depositou o saco no chão, pulou e apertou no botão para o sinal ficar verde.
O açougueiro ficou realmente impressionado. Como já estava na hora, decidiu fechar a loja e seguir o cão.

O animal atravessou a rua e caminhou até uma parada de ônibus, sempre com o açougueiro a segui-lo.
Esperou pacientemente com o saco na boca que o sinal fechasse e pudesse atravessar. Na parada, o cão sentou-se no banco, esperando o ônibus.
Quando um ônibus chegou, o cão foi até à frente para conferir o número e voltou para o seu lugar. Chegou outro ônibus e ele tornou a olhar, viu que aquele era o número certo e entrou.
Boquiaberto, o açougueiro seguiu o cão. Mais adiante o cão levantou-se, ficou em pé nas duas patas traseiras e apertou no botão para mandar parar o ônibus, tudo isso com as compras ainda na boca.

O açougueiro e o cão foram caminhando pela rua quando o cão parou à porta de uma casa e pôs as compras no chão; depois virou-se um pouco, correu e atirou-se contra a porta. Tornou a fazer o mesmo mas ninguém respondeu.

Então contornou a casa, pulou um muro baixo, foi até à janela e começou a bater várias vezes com a cabeça no vidro.
Caminhou de volta para a porta e, de repente, um tipo enorme abriu a porta e começou a espancar o cão. O açougueiro correu até ao homem e impediu-o dizendo:

- Deus do céu, homem, o que é que você está fazendo? O seu cão é um gênio!

O homem respondeu:
- Um gênio??? Esta semana, já é a segunda vez que este cão estúpido se esquece da chave !

MORAL DA HISTÓRIA

Podes continuar a superar as expectativas, mas... a tua avaliação depende sempre da competência de quem avalia!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Reunião da equipe para avaliação dos 6 meses do programa e planejamento de janeiro










Avaliação de Desempenho – Auto-avaliação:

a) Credibilidade e Confiança
É o grau de confiabilidade das informações/atividades/serviços prestados, sob sua responsabilidade.

b) Compartilhamento das Atividades
É a capacidade de compartilhar as informações para o desenvolvimento das atividades/serviços, de modo que estes não fiquem prejudicados e condicionados à presença do funcionário executor da atividade. É o ato da descentralização da informação.

c) Trabalho em Equipe
É a capacidade de interagir e cooperar no compartilhamento de idéias, objetivos, atividades e soluções para atingir os objetivos Institucionais.

d) Disponibilidade
São as atitudes no que se refere a estar disponível para atender solicitações na participação em atividades/serviços , de acordo com as necessidades.

e) Comprometimento
É a pré-disposição para a ação e para o esforço em prol da Instituição, quanto ao compartilhamento de valores entre esta e as pessoas que nela atuam, buscando atingir os objetivos organizacionais.

f) Foco no usuário de sua atividade/serviço
É o interesse em atender as necessidades atuais e futuras dos usuários, desenvolvendo estratégias, planos, ações, processos, etc, respeitadas as normas vigentes.

g) Aplicação do Conhecimento
É a aplicação do conhecimento/experiência no uso das ferramentas, conceitos, métodos, procedimentos, software, equipamentos, etc, para melhorar o desenvolvimento das atividades em geral.

h) Organização do Tempo e Trabalho - Prioridade
São as atitudes em relação à administração de tempo e trabalho, considerando a assiduidade, a pontualidade, interrupções durante o período de trabalho e/ou programações quanto aos prazos para a realização das atividades.

i) Relacionamento Interpessoal
É a capacidade de se relacionar de forma cordial com as pessoas dos diversos níveis hierárquicos e culturais, incluindo os usuários/clientes, de forma a manter o ambiente de trabalho agradável e produtivo.

j) Comunicação
É a capacidade de se expressar (nas diversas formas) de maneira clara, objetiva e adequada, bem como a capacidade de ouvir os outros e dar respostas consistentes, contribuindo para atingir os objetivos.

k) Administração de Conflitos
É a capacidade de lidar e procurar solucionar conflitos, opiniões divergentes e condições adversas no ambiente de trabalho.

l) Capacitação e Desenvolvimento Profissional
É o interesse pela busca ativa de qualificação e aprimoramento pessoal e profissional, na área de atuação, com o objetivo de melhorar o desenvolvimento das atividades/serviços.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Oficina de Esportes - Momentos diversos / Material de Apoio -Textos

caminhada/ trilha ( visita ao cruzeiro)

vôlei na mini-quadra aberta ao lado do CJ

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Benefícios do esporte

Além de fazer bem à saúde, o esporte permite trabalhar, ao mesmo tempo, a afetividade,

as percepções, a expressão, o raciocínio e a criatividade de jovens. Com isso, eles passam a ter mais controle de seu corpo e melhoram a capacidade de brincar em grupo e fazer amigos.

O esporte também é um meio eficaz de complemento à educação e uma forma eficiente de aumentar o interesse e o desempenho na escola. Uma idéia é relacioná-lo aos conteúdos estudados em sala de aula.

A prática de esportes pode ainda ajudar a transmitir valores como respeito a regras e limites, estimular a aceitação da vitória ou da derrota e ajudar a fortalecer as relações de
solidariedade. (Texto: UNICEF)

jogos de dominó, xadrez e damas
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Prática de esportes e hobbies ajuda os jovens a se manter longe das drogas

Estudo que fez sondagem entre mais de 25 mil crianças e jovens (2003) mostra a importância dessas atividades para afastá-los das drogas. Um trabalho realizado pelo Escritório Governamental para o Controle Nacional das Drogas dos Estados Unidos confirmou a importância das relações familiares e da prática de esportes e de hobbies como mecanismos para afastar os jovens das drogas.

Nesse estudo foram aplicados questionários em mais de 25 mil crianças e jovens entre nove e 17 anos e o objetivo foi definir quais são os fatores que contribuem para reduzir o interesse pelas drogas.

Quando esses jovens possuem uma atividade esportiva regular, que os motive e ocupe, o esporte passa a ser mais importante do que o interesse por drogas. Esse estudo evidenciou que a família tem uma importância maior do que se atribuía.

De acordo com os coordenadores do trabalho, a palavra e atitudes dos pais ou outros adultos em posição de influência são mais eficazes do que se supõe para manter as crianças longe das drogas.

A recomendação básica desse estudo é que os pais estimulem seus filhos a práticas esportivas e atividades lúdicas ou culturais como um meio eficientes de afastá-los das drogas.

jogos com a equipe ao ar livre


aula técnica sobre basquete e suas regras


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

MATERIAL DE APOIO - Roteiro de oficina inicial do Módulo II do Centro da Juventude de Tuparetama


MOTIVAÇÃO PARA O II MÓDULO DO CENTRO DA JUVENTUDE - Dezembro de 2008 a maio de 2009 - EDUCAÇÃO PARA O MUNDO DO TRABALHO


1- Neste momento os jovens deverão ser informados de maneira clara e breve sobre os objetivos da oficina do dia e como serão feitos os trabalhos. O coordenador reforça a percepção do grupo sobre as diversidades das formas de aprender e sobre a capacidade humana de aprender por toda a vida. Aborda o conceito de Educação Continuada como forma de capacitar-se e atualizar-se permanentemente a novas exigências da sociedade e do trabalho.

• Exibição de mensagem no slide e distribuição de cópias para todos. Pedir que leiam em silêncio.
• Perguntar se alguém deseja ler em voz alta.
• Ao final da leitura, pergunte se alguém gostaria de falar sobre as sensações ou idéias que vieram à mente por causa da mensagem.
• Solicite que todos façam relações entre a mensagem e o tema empreendedorismo

2- Continuar as atividades com:
a) Esclarecimentos sobre o MÓDULO II - Educação para o mundo do trabalho
b) Esclarecer que as regras de convivência, horários e critérios do MÓDULO I continuam.
c) Esclarecer sobre os critérios de escolha das oficinas regulares e de capacitação para o trabalho e geração de renda (tempo x recursos x disponibilidade de pessoal no município x interesse dos jovens x objetivos do programa )
d) Apresentar os EIXOS TEMÁTICOS das oficinas de capacitação para o trabalho e geração de renda.
e) Apresentação dos oficineiros iniciais de capacitação para o trabalho e geração de renda

3- Tendo como fundo musical música instrumental suave, de olhos fechados, orientados pelo coordenador, cada participante deverá recordar-se de como foi a sua trajetória no CJ desde o primeiro dia de trabalho até o momento presente.
• Como iniciou na equipe;
• como se capacitou;
• as atividades que fez (ou deixou de fazer) e palestras que assistiu;
• lugares onde foram;
• dificuldades que enfrentou;
• pessoas que contribuíram para o seu desenvolvimento no CJ e porque;
• experiências marcantes e fundamentais para seu crescimento;
• iniciativas pessoais que contribuíram para o próprio desenvolvimento…

Após a viagem imaginária ao passado, em uma folha de papel cada participante deverá representar o seu caminho no CJ através de uma linha, ou gráfico ou desenho de caminho, registrando cada fato importante do início até os dias de hoje. Ao concluir o desenho, atrás da folha, completar a seguinte frase: “A coisa mais importante que aconteceu até agora em minha participação no CJ foi…”


O coordenador da atividade explica que no verso da folha o jovem deverá escrever uma CARTA A SI PRÓPRIO com os objetivos de: levantamento de expectativas individuais, compromisso consigo próprio, percepção de si, auto-conhecimento, reflexão, auto-motivação.
Dá as seguintes Instruções :
• Individualmente, cada um escreve uma carta a si próprio, como se estivesse escrevendo a seu(sua) melhor amigo(a).
• Dentre os assuntos, abordar: como se sente no momento, o que espera do II Módulo, como espera estar pessoal e economicamente daqui a 5 meses.
• Colocar a carta no envelope a si próprio (nome e endereço completo para remessa).
• O coordenador recolhe os envelopes endereçados, cola-os perante o grupo e explica que serão guardadas e no final do II módulo serão entregues ao remetente.

MATERIAL DE APOIO - Slide [1] Conhecendo a história do lugar onde vivemos

O Pajeú e Sua História
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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

MATERIAL DE APOIO - Texto


O ETHOS QUE CUIDA - Leonardo Boff

Quando amamos, cuidamos e quando cuidamos amamos. Por isso o ethos que ama se completa com o ethos que cuida. O "cuidado" constitui a categoria central do novo paradigma de civilização que forceja por emergir em todas as partes do mundo. A falta de cuidado no trato da natureza e dos recursos escassos, a ausência de cuidado com referência ao poder da tecnociência que construiu armas de destruição em massa e de devastação da biosfera e da própria sobrevivência da espécie humana, nos está levando a um impasse sem precedentes. Ou cuidamos ou pereceremos. O cuidado assume uma dupla função: de prevenção a danos futuros e de regeneração de dados passados. O cuidado possui esse condão: reforçar a vida, zelar pelas condições físico-químicas, ecológicas, sociais e espirituais que permitem a reprodução da vida e de sua ulterior evolução. O correspondente ao cuidado em termos políticos é a "sustentabilidade" que visa encontrar o justo equilíbrio entre o benefício racional das virtualidades da Terra e sua preservação para nós e as gerações futuras. Talvez aduzindo a fábula do cuidado, conservada por Higino (+17,d.C.), bibliotecário de César Augusto, entendamos melhor o significado do ethos que cuida.

"Certo dia, Cuidado tomou um pedaço de barro e moldou-o na forma do ser humano. Nisso apareceu Júpiter e, a pedido de Cuidado, insuflou-lhe espírito. Cuidado quis dar-lhe um nome, mas Júpiter lho proibiu, querendo ele impôr o nome. Começou uma discussão entre ambos. Nisso apareceu a Terra alegando que o barro é parte de seu corpo e, que por isso, tinha o direito de escolher um nome. Gerou-se uma discussão generalizada e sem solução. Então todos aceitaram chamar Saturno, o velho deus ancestral, para ser o árbitro. Este tomou a seguinte sentença, considerada justa: Você, Júpiter, deu-lhe o espírito, receberá o espírito de volta quando essa criatura morrer. Você, Terra, que lhe forneceu o corpo, receberá o corpo de volta, quando esta criatura morrer.E você, Cuidado, que foi o primeiro a moldar a criatura, acompanha-la-á, por todo o tempo em que viver. E como vocês não chegaram a nenhum consenso sobre o nome, decido eu: chamar-se-á homem que vem de humus que significa terra fértil".

Essa fábula está cheia de lições. O cuidado é anterior ao espírito infundido por Júpiter e anterior ao corpo emprestado pela Terra. A concepção corpo-espírito não é, portanto, originária. Originário é o cuidado "que foi o primeiro a moldar o ser humano". O Cuidado o fez com "cuidado", zelo e devoção, portanto, com uma atitude amorosa. Ele é, anterior, o a priori ontológico que permite o ser humano surgir. Essas dimensões entram na constituição do ser humano. Sem elas não é humano. Por isso se diz que o "cuidado acompanhará o ser humano por todo o tempo em que viver". Tudo que fizer com cuidado será bem feito.

O ethos que cuida e ama é terapêutico e libertador. Sana chagas, desanuvia o futuro e cria esperança. Com razão diz o psicanalista Rollo May:"na atual confusão de episódios racionalistas e técnicos, perdemos de vista o ser humano. Devemos voltar humildemente ao simples cuidado. É o mito do cuidado, e somente ele que nos permite resistir ao cinismo e à apatia, doenças psicológicas de nosso tempo".

FONTE: www.leonardoboff.com

Leonardo Boff
Teólogo da Libertação, escritor, professor e conferencista, doutor em Teologia e Filosofia pela Universidade de Munique (Alemanha), professor de Teologia e Espiritualidade em vários centros de estudo e universidades no Brasil e no exterior. Autor de mais de 60 livros nas áreas de Teologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia e Mística.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

MATERIAL DE APOIO - Texto


Resiliência

Vania D´Angela Dohme

Do texto: O Protagonismo Juvenil e os Grandes Educadores

A resiliência é um conceito novo nas ciências sociais e humanas, inspirado em um termo utilizado na física que se refere à capacidade dos metais de resistir a impactos recuperando rapidamente a resistência dos corpos à ruptura. É um conceito que relaciona tensão, resistência, mas também, de armazenamento de energias.

Em ciências humanas este conceito representa a capacidade de um indivíduo, mesmo num ambiente desfavorável, construir-se positivamente frente às adversidades. Analogicamente à física ele envolve conceitos de tensão, resistência e armazenamento de experiências, mas vai além, o seu sujeito, neste caso a pessoa, não somente recupera a sua antiga forma, como fica melhor, mais forte e seguro.

Como enfrentar as adversidades? Como prevê-las? Como minimizá-las? Existirá um “país das Maravilhas” onde tudo é perfeito e previsível? É claro que não, e por mais que procuremos formas de prever adversidades e diminuir riscos, seja através das ciências ou das estatísticas, a infinidade de combinações possíveis entre os fenômenos naturais e sociais sempre poderão nos surpreender. E por mais que no preparemos, sempre haverá momentos que nos requisitem novos conhecimentos e habilidades.

É inegável que a complexidade da sociedade segue em progressão geométrica, fundada no formidável avanço tecnológico, na instantaneidade das comunicações e nos fenômenos da globalização.

Perante este dois fatores, a imprevisibilidade das adversidades e a complexidade da vida atual, não basta estar preparado, é preciso desenvolver a capacidade de não se deixar abater pelas circunstâncias inesperadas e incontroláveis. Desenvolver um permanente estado de alerta, forte o suficiente para manter-se no controle da situação, reagindo positiva e criativamente e, ainda, discernindo nesta experiência o que pode ser adquirido.

Se as adversidades não podem ser previstas ou evitadas, precisamos aprender a ganhar com elas. E mais do que aprender, alguns de nós precisam ensinar...

Desenvolver a resiliência não é prevenir riscos e adversidades e sim buscar maneiras de conviver, e se fortalecer, com eles.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

MATERIAL DE APOIO - Texto

Juventude, Educação e Mudança (trecho)
Antônio Carlos Gomes da Costa


Qual o perfil exigido do jovem para trabalhar e viver na era pós-industrial, na sociedade do conhecimento?

Os Códigos da Modernidade de Bernardo Toro e as Mega-Habilidades formuladas pela equipe do CLIE (Centro Latino-Americano de Investigações Educacionais) nos traçam prefigurações realistas do perfil exigido de cada ser humano, para trabalhar e viver numa sociedade moderna:

Códigos da Modernidade (Bernardo Toro):

1.  Domínio da Lecto-Escritura; 2.  Capacidade de fazer cálculos e de resolver problemas; 3.  Capacidade de compreender, analisar, interpretar e sintetizar dados, fatos e situações; 4.  Compreender e operar seu entorno social; 5.  Receber criticamente os meios de comunicação; 6.  Acessar informações; 7.  Trabalhar em grupo.

Mega-Habilidades (CLIE):

1.  Confiança: Sentir-se capaz de fazer; 2.  Motivação: Querer fazer; 3.  Esforço: Disposição de trabalhar duro. Superar dificuldades; 4.  Responsabilidade: Fazer o que deve ser feito. Fazer correto; 5.  Iniciativa: Passar da intenção à ação; 6.  Perseverança: Terminar o começado; 7.  Altruísmo: Sentir preocupação pelo outro; 8. Sentir Comum: Ter bons critérios ao avaliar e decidir; 9.  Solução de Problemas: Por em ação o que sabe e o que é capaz de fazer.

Os Códigos da Modernidade e as Mega-Habilidades são, portanto, reflexos das duas ordens de exigência (transformação produtiva e equidade social) sobre a educação do nosso tempo.


Essas competências e habilidades podem ser transmitidas através apenas da docência?

É certo que não. Para criar os espaços necessários à eclosão das práticas e vivências capazes de permitir aos jovens exercitarem-se como fonte de iniciativa, liberdade e compromisso são necessários recursos pedagógicos de natureza distinta da aula. São necessários acontecimentos em que o jovem possa desempenhar um papel protagônico. Aqui, o discurso das palavras deve ser substituído pelo curso efetivo dos acontecimentos.


Antonio Carlos Gomes da Costa é educador e autor de diversos livros. Através de sua empresa, a Modus Faciendi (http://www.modusfaciendi.com.br/), com sede em Belo Horizonte, MG, presta consultoria a diversas instituições do Terceiro Setor, entra as quais o Instituto Ayrton Senna, do qual é o principal consultor. 

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Avaliando as atividades do Centro da Juventude


As atividades do CJ e a participação dos envolvidos (oficineiros, jovens, equipe administrativa) são avaliadas e monitoradas continuamente, diariamente, através dos momentos de debate e discussão em grupo, na observação direta e pelos trabalhos realizados. Mas para sistematizar de modo simples e "concreto" essa avaliação, a equipe tecnica criou uma ficha que é usada pelos jovens a cada bimestre.

domingo, 12 de outubro de 2008

MATERIAL DE APOIO - Texto [2]


Jovens em situação de pobreza, vulnerabilidades sociais e violências
(trechos do texto)
Cadernos de Pesquisa no.116 /São Paulo/ 2002

(...)Vários autores (...)recorrem, por exemplo, ao conceito de vulnerabilidades sociais para tentar desconstruir sentidos únicos e identificar potencialidades de acionar atores e atrizes para resistir e enfrentar situações socialmente negativas. Haveria portanto uma vulnerabilidade positiva, quando se aprende, pelo vivido, a tecer formas de resistências, formas de lidar com os
riscos e obstáculos de modo criativo.

(...) É quando as vulnerabilidades vividas trazem a semente positiva de "um poder simbólico de subversão" (...) Em estudos sobre vulnerabilidades sociais que acessam os indivíduos, as famílias e grupos na comunidade, tende-se a trabalhar com o esperado em diferentes sistemas de linguagens, reconhecendo a força da subjetividade, do desejo, e a distância entre o vivido e o esperado quanto a direitos humanos.
É preciso, contudo, pesquisar mais sobre ambientes ou "inseguranças e incertezas" (Vignoli, 2001; Cepal, 2000), bem como sobre o reconhecimento do direito a ter direitos, tal como o refere Hanna Arendt no debate sobre cidadania (apud Duarte 2001). Para tanto, é necessário recorrer a diversos planos analíticos.

Análises sobre vulnerabilidades contemporâneas na América Latina, como a "juvenilização" da mortalidade, em particular entre grupos na pobreza e por causas violentas, sugeririam, por exemplo, que não basta referir-se a direitos individuais, mas também de grupos e gerações e a características de um tempo e de sociedades. Quais seriam as marcas desta geração, e de gerações nessas sociedades?

Afetam a geração dos jovens, o desencanto, as incertezas em relação ao futuro, o distanciamento em relação às instituições, a descrença na sua legitimidade e na política formal, além de resistência a autoritarismos e "adultocracia".

Nesse caso, a escola e a família já não teriam a mesma referência que tiveram para outras gerações, além de que há diversidades quanto a construções dessas referências em grupos em uma mesma geração. Por outro lado, o apelo da sociedade de espetáculo e o apelo aos padrões de consumo conviveriam com chamadas para a responsabilidade social e o associativismo. Essas e outras tendências contraditórias também potencializariam vulnerabilidades negativas e positivas
(no sentido de fragilidades, obstáculos, capital social e cultural e formas de resistência no plano ético cultural).

Dessa forma, discutir juventudes pede discutir modernidade e sua realização em distintos planos e para distintos grupos sociais.

Mary Garcia Castro-Pesquisadora da Unesco e pesquisadora associada à Unicamp/ Centro de Estudos de Migrações Internacionais
Miriam Abramovay-Consultora do Banco Interamericano de Desenvolvimento — BID em situação de pobreza, vulnerabilidades sociais e violências.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

MATERIAL DE APOIO - Texto


Como o jovem olha para si mesmo(*)
Abdalaziz de Moura

Dependendo da forma como o adolescente ou o jovem se concebe, olha para si mesmo e se imagina a si próprio, assume tal ou tal atitude diante da vida.

Por exemplo, se ele olha para si como uma pessoa que não tem capacidade, que só traz problema para os pais e professores, que ninguém lhe escuta, nem lhe entende, esse jovem ou adolescente vai se comportar seguindo sua concepção.

Ele vai sentir-se inseguro diante dos outros, vai sentir-se tímido, acanhado, sem iniciativa, ou vai procurar um jeito estranho de chamar a atenção dos outros ou vai procurar reforço fora de si, na bebida, no apoio de um amigo ou de um líder para enfrentar o mundo.

Mas se o adolescente se olha com uma outra concepção, por exemplo, como alguém que tem potencialidade, capacidade, que tem uma palavra que lhe é própria, desenvolve idéias próprias, pode contribuir com a solução dos problemas, esse jovem vai tomar atitudes de protagonistas, com autonomia, auto-estima, autoconfiança e não vai precisar de apoio externo ou de estimulantes para se guiar na vida.

Essa diferença é muita maior do que imaginamos. E como vemos tem repercussão imediata sobre a vida das pessoas. Sobre o rumo da vida das pessoas. As concepções ajudam as pessoas a construírem as respostas sobre as grandes interrogações, sobre o para que, porque, qual o sentido da vida, do bem, do mal, do amor, do ódio.

Por isso é tão importante o jovem ou o adolescente, como qualquer outra pessoa, ter mais clareza sobre suas concepções a respeito das pessoas. Sabemos que tradicionalmente pinta-se um quadro onde o adolescente é um aborrecente, um revoltado, uma pessoa imatura, que depende do dinheiro do pai ou mãe, depende da autoridade. Essa concepção não é a da formação do ADL(**), o ADL é o contrário de tudo isso. Mas é ele que tem que construir essa concepção.

(*) SERTA/ Trecho de "CONCEPÇÃO DE PESSOA" texto preparado como material didático para a formação dos ADL, estudado também por professoras, importante para conhecer a dimensão filosófica da Peads- Proposta de Educação de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável.
(**) Agentes de Desenvolvimento Local

domingo, 21 de setembro de 2008

MATERIAL DE APOIO - Dinâmicas


Juri Simulado

Objetivos:
1- Estudar e debater um tema, levando todos os participantes do grupo se envolverem e tomar uma posição.
2- Exercitar a expressão e o raciocínio.
3- Desenvolver o senso crítico:

Participantes: (Funções)
Juiz: Dirige e coordena o andamento do júri.
Advogado de acusação: Formula as acusações contra o réu ou ré.
Advogado de defesa: Defende o réu ou ré e responde às acusações formuladas pelo advogado de acusação.
Testemunhas: Falam a favor ou contra o réu ou ré, de acordo com o que tiver sido combinado, pondo em evidência as contradições e enfatizando os argumentos fundamentais.
Corpo de Jurados: Ouve todo o processo e a seguir vota: Culpado ou inocente, definindo a pena. A quantidade do corpo de jurados deve ser constituido por número impar:(3, 5 ou 7)
Público: Dividido em dois grupos da defesa e da acusação, ajudam seus advogados a prepararem os argumentos para acusação ou defesa. Durante o juri, acompanham em silêncio.

Passos:
1- Coordenador apresenta o assunto e a questão a ser trabalhada.
2- Orientação para os participantes.
3- Preparação para o júri.
4- Juiz abre a sessão.
5- Advogado de acusação (promotor) acusa o réu ou ré (a questão em pauta).
6- Advogado de defesa, defende o réu ou a ré.
7- Advogado de acusação toma a palavra e continua a acusação.
8- Intervenção de testemunhas, uma de acusação outra de defesa.
9- Advogado de defesa, retoma a defesa.
10- Jurados decidem a sentença, junto com o juiz.
11- O público, avalia o debate entre os advogados, destacando o que foi bom, o que faltou.
12- Leitura e justificativa da sentença pelo juiz.

Avaliação:
- Que proveito tiramos da dinâmica?
- O que mais nos agradou?
- Como nos sentimos?
- O que podemos melhorar?

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